#322 Análise Lacaniana
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Legenda
Dá para perceber que esse analista é ruim pois não tem nenhum livro de vinhos na estante.
Transcrição
Uma cena em um consultório de psicanálise. O analista é um homem sentado em uma poltrona, de costas para o espectador em 3/4. No divã (a clássica chaise longue de Le Corbusier), o "paciente" é uma garrafa de vinho antropomorfizada (com braços e pernas pretos).
Vinho (Paciente): "NÃO AGUENTO MAIS, DOUTOR! FULANO NÃO PASSA NEM QUINZE SEGUNDOS COMIGO E JÁ VEM COM UMA NOTINHA E A LADAINHA DE SEMPRE... QUE MEU ASPECTO É LÍMPIDO, NO NARIZ FRUTAS VERMELHAS, NA BOCA TANINOS MÉDIOS! QUEM QUE VAI AMAR UM VINHO ASSIM?!" Analista: "NÃO AMAMOS REALMENTE UM VINHO, E SIM A IMAGEM QUE FORMAMOS DELE, COM NOSSOS DESEJOS E CARÊNCIAS."
Rodapé: "ANÁLISE LACANIANA DE VINHOS"
Explicação
O post aplica conceitos da psicanálise lacaniana (o desejo, o imaginário, o Outro) ao mundo do vinho. A garrafa sofre com a superficialidade das avaliações técnicas (notas de degustação padronizadas), sentindo-se "incompreendida" ou objetificada. O analista responde com uma máxima adaptada de Jacques Lacan ("Amar é dar o que não se tem a quem não o quer" ou similar sobre o amor ser uma projeção), sugerindo que a relação do enófilo com o vinho é projetiva: amamos a ideia do vinho, o rótulo, o status, e não o líquido em si.
Originalmente publicado
- Data: 19 de janeiro de 2021